Myllena Cristyna

Iracema - CE


 

Ciências, Sustentabilidade

Sobre

Myllena Cristyna é uma das jovens cientistas de mais destaque do Brasil. Nascida em Iracema - CE, em um povoado de apenas 300 habitantes, ela diz que sempre enfrentou limitações para acreditar em si mesma e correr atrás dos seus objetivos. Aos 16 anos, foi uma das responsáveis por uma pesquisa sobre formas de impedir a transmissão do zika vírus. Com isso, Myllena foi selecionada para a Intel ISEF, a feira de ciências mais importante do mundo. Devido ao seu destaque, Myllena estreou na “Science Fair”, um documentário da National Geographic que foi indicado ao Emmy em 2019. Hoje, ela mora na Califórnia, onde está aprendendo inglês. Seu maior sonho é atuar como jornalista para contribuir para a divulgação científica.

Em 1999, Myllena nasce no distrito de Ema, na cidade cearense de Iracema. Morando em um povoado com aproximadamente 300 habitantes, ela cresce em meio à uma comunidade onde os habitantes não acreditavam que grandes conquistas poderiam ser alcançadas. Segundo ela, esse foi um dos fatores que impulsionaram-na a querer ir além e a mostrar a todos que eles estavam errados.

Aos 10 anos, Myllena torna-se coordenadora de uma atividade em sua escola. Apaixonada por matemática, ela passa a orientar os colegas a criarem histórias em quadrinhos cujo enredo tinha como base a resolução de um problema matemático. Com isso, ela esperava estimular os demais alunos a compreenderem e a se interessarem pela área da mesma forma que ela.

Em 2013, no seu 9° ano, Myllena apresenta um projeto sobre a reutilização da água em uma feira de ciências na sua escola. Apesar de ter sido apenas uma campanha de conscientização, Myllena enfatiza a importância que esse projeto teve na sua vida. Segundo ela, foi graças a uma pesquisa feita para elaborar o projeto que fez com que notasse a importância da ciência e da divulgação científica.

Em 2014, ela inicia o Ensino Médio na Escola Deputado Joaquim de Figueiredo Correia. No seu primeiro ano, assume a liderança de uma atividade extracurricular cujo principal objetivo era incentivar e apoiar projetos científicos existentes na escola. Em uma feira de ciências, que ocorre no final do ano, ela apresenta a sua visão sobre o projeto, explicando o impacto que planejava causar no ambiente escolar. Ela garante o primeiro lugar na feira e passa para a etapa regional. Aos 15 anos, Myllena também começa o seu primeiro emprego na rádio de sua cidade. Lá, ela tem a oportunidade de narrar este acontecimento como a primeira vez. Assim, descobre uma outra paixão além da ciência: a área da comunicação.

Em 2016, acompanhada pelo seu colega de pesquisa, Gabriel Moura, Myllena torna-se responsável pela criação de uma pesquisa sobre maneiras de inibir a transmissão do zika vírus. Com esse projeto, os dois decidem tentar realizar um grande sonho: serem selecionados para participar da Intel International Science and Engineering Fair (Intel ISEF), a maior feira de ciências para estudantes do Ensino Médio do mundo. Para conseguirem o reconhecimento nacional necessário para a classificação, eles inscrevem-se e ganham premiações em diversas feiras de ciências na América do Sul. Eles também começam a vender rifas para arrecadar o dinheiro necessário para a viagem.

Ainda no Brasil, o projeto é premiado nas seguintes feiras: Feira Nordestina de Ciências e Tecnologia (FENECIT) em Recife; Ceará faz Ciência; FEBRACE (São Paulo); e na Mostratec (Rio Grande do Sul). Para poder viajar apresentando seu projeto pelo Brasil, Myllena não recebe nenhum tipo de apoio de sua escola ou de sua comunidade. Contando apenas com os esforços próprios, o projeto ganha a visibilidade devida e, ela e Gabriel são selecionados para participar da edição de 2017 da Intel ISEF com todas as despesas pagas. Lá, cineastas americanos tiveram grande interesse pela história de Myllena, uma vez que ela apresentava um dos projetos de destaque na feira e não sabia falar inglês.

Após voltar ao Brasil, cineastas americanos que a conheceram na Intel ISEF convidam-na para ser uma das estrelas de um documentário intitulado “Science Fair”, que buscava mostrar a realidade dos estudantes participantes da Intel ISEF. Assim, uma equipe de cineastas viaja até Iracema para realizar as filmagens, que mais tarde seriam compradas pela National Geographic. Myllena também inicia outra pesquisa científica, um método de reciclagem do isopor, transformando-o em um material capaz de impedir o vazamento de petróleo no mar. Com esse projeto, ela estabelece como meta ir pela segunda vez para a Intel ISEF. Porém, Myllena já havia se formado no ensino médio e um dos critérios de participação era estar ainda no ensino secundário. Então, ela entra em um curso técnico no IFCE (Campus Limoeiro do Norte) para ser capaz de se candidatar novamente. Após muito esforço, ela ganha o primeiro lugar de projetos da área de biológicas na feira da FEBRACE, premiação que a classificava como uma das participantes da edição de 2018 da Intel ISEF.

Ainda em 2018, Myllena é convidada para retornar a Hollywood, nos Estados Unidos, para o lançamento do filme em que estreou. Ela passa uma semana convivendo com pessoas de alta influência e sendo recebida nos eventos como uma estrela de cinema. Em 2019, ela é convidada para ir pela terceira vez ao Intel ISEF, dessa vez como representante do National Geographic. Devido à fama do documentário nos Estados Unidos, Mylenna recebe uma bolsa completa para estudar inglês em uma escola em Los Angeles.

Myllena continua estudando inglês e recebe uma bolsa na Arizona State University, onde irá estudar Jornalismo. Seu maior sonho é tornar-se uma jornalista investigativa e com isso contribuir para a divulgação do conhecimento científico.